quinta-feira, 30 de maio de 2013

A travessia


"O mundo está em constante transformação. Os pequenos seres vivos em mutação." - Pensou Gundeico.

Já tinham se passado sete longos e eternos dias. Comparado aos cinco anos que ficou em Alexandria, percebeu que suas habilidades no mar não foi uma herança deixada pelo pai. Aliás, nem pela experiência de quando era menino.

 Barco onde se encontrava Gundeico

 Ficar lá fora ou lá dentro, não havia diferente. O balanço era igualmente sentido e quase nada parava em seu estômago. 

As três únicas formas de esquecer o vai-e-vem da maré era ou nas brincadeiras com Vasti, ou quando tinha que cuidar de algum enfermo ou quando bebia. Dentre as três, a última opção era o que melhor lhe auxiliava a dormir.

 
  Mar agitado
Muitos marinheiros estavam passando mal, e o próprio capitão disse que aquilo não era de costume. Salvo Vasti, todos de certa forma adoeceram. Mas ao passar pela segunda semana, o céu negro deu lugar a um azul, como a cor dos olhos de Gundeico.

Os dias de calmaria, com sol e o vento soprando nas velas, faziam com que aquele imenso barco fosse deslizando sobre a água. Nesses dias Gundeico conseguia olhar para o céu e apreciar o cheiro salgado que tomava toda a embarcação. Revivia a sua memória de menino correndo na proa, subindo no mastro, olhando os remos tocando o mar azul e brincando com as cordas das velas. Não se lembra de ter vivido maus momentos como as tempestades que vinham enfrentando nos últimos dias, nem o mau humor do mar nas noites escuras iluminadas por alguns trovões.
Dias foram se passando e aos poucos o corpo de Gundeico ia se entregando e mesclando com os movimentos da dança das águas. “Uma hora ou outra, tenho que me readaptar! Fui criado no barco, ora essa!”, falou a si mesmo tentando se convencer daquilo. 

 Céu azul

Lembranças de seus pais se faziam sempre presente. Às vezes seus olhos mareavam ao olhar no horizonte. “É essa claridade do sol que me incomoda tanto!”, falava em voz alta assim que percebia que alguém o observava. 

Gundeico sabia que eles estavam bem. E ele também estaria. Logo iria escutar o barulho de pássaros e saberia que enfim, estaria chegando a terras novas.



5 comentários :

Hugo Marcelo Barbosa disse...

Goste muito da primeira frase.
Foi vc quem a criou Camila?

Att,

Hugo Marcelo

Camila Numa disse...

Foi!
=)
Mais tarde esta mesma frase vai aparecer de novo!
;)

Hugo Marcelo Barbosa disse...

Legal.
Pode ser o início de uma poesia Gundesca...hehe

Hugo Marcelo

Camila Numa disse...

hahahahaha
Os médicos também podem ser poéticos!
;)

Hugo Marcelo Barbosa disse...

Que o diga Guimarães Rosa...

Hugo Marcelo